Previdência
As contas do INSS
Em 2025, o INSS pagou mais do que arrecadou
Arrecadou
R$ 709,7 bilhões
contribuições de quem trabalha e das empresas
Pagou em benefícios
R$ 1,03 trilhão
aposentadorias, pensões e auxílios
Faltaram
R$ 317,2 bilhões
cobertos pelo Tesouro (em 2024: R$ 297,4 bilhões)
De cada R$ 100 pagos pelo INSS, R$ 69 vieram das contribuições. Os outros R$ 31 saíram do caixa do governo, que também paga saúde, educação e segurança.
Dos benefícios pagos, R$ 808,1 bilhões foram para quem trabalhou na cidade e R$ 218,8 bilhões para quem trabalhou no campo.
Fonte: Tesouro Nacional, Resultado do Tesouro Nacional (dezembro de 2025). Valores do ano, sem correção pela inflação.
O que vem pela frente
Pela projeção oficial do governo, o que falta cai um pouco até 2030 e depois cresce sem parar, porque o país envelhece: de 2,5% do PIB em 2026 para 5,5% em 2060 e 10,4% em 2100. Para comparar: o país todo arrecada perto de 32% do PIB em impostos.
- 2026 · falta 2,5% do PIB
- 2030 · falta 1,5% do PIB
- 2040 · falta 2,4% do PIB
- 2050 · falta 3,8% do PIB
- 2060 · falta 5,5% do PIB
- 2080 · falta 8,3% do PIB
- 2100 · falta 10,4% do PIB
Ver a tabela (a cada 5 anos)
| Ano | Arrecada | Paga | Falta |
|---|---|---|---|
| 2026 | 5,77% | 8,26% | 2,49% |
| 2030 | 6,54% | 7,99% | 1,45% |
| 2035 | 6,51% | 8,42% | 1,92% |
| 2040 | 6,48% | 8,87% | 2,39% |
| 2045 | 6,46% | 9,51% | 3,05% |
| 2050 | 6,44% | 10,23% | 3,79% |
| 2055 | 6,43% | 10,90% | 4,47% |
| 2060 | 6,40% | 11,94% | 5,54% |
| 2065 | 6,38% | 13,08% | 6,70% |
| 2070 | 6,37% | 13,26% | 6,89% |
| 2075 | 6,37% | 13,98% | 7,61% |
| 2080 | 6,36% | 14,62% | 8,26% |
| 2085 | 6,36% | 15,22% | 8,86% |
| 2090 | 6,36% | 15,74% | 9,38% |
| 2095 | 6,35% | 16,31% | 9,95% |
| 2100 | 6,35% | 16,76% | 10,41% |
Em % do PIB de cada ano. A projeção é encadeada: pequenas mudanças hoje (salário mínimo, emprego, regras) mudam muito o resultado lá na frente.
Por que a conta cresce: o Brasil está envelhecendo
Pessoas com 60 anos ou mais
13,9% → 34,6%
da população, de 2019 para 2060 (37,8% em 2070)
Filhos por mulher
6,3 → 1,66
de 1960 para 2060: menos jovens entrando no mercado de trabalho
Gente em idade de trabalhar (16 a 59 anos)
pico em 2034
134,6 milhões de pessoas; depois, cai todo ano
O INSS funciona assim: quem trabalha hoje paga a aposentadoria de quem já se aposentou. Com mais aposentados vivendo mais tempo e menos jovens chegando, sobra menos contribuição para cada benefício. Também pesam as regras de cada benefício e o reajuste do piso, que é igual ao salário mínimo. Fonte: IBGE, projeções da população, citadas no mesmo anexo.
Perguntas que todo mundo faz
O INSS vai quebrar? Vou deixar de receber?
Por lei, quando a contribuição não basta, a União cobre a diferença (Lei 8.212/1991, art. 16). Por isso as aposentadorias continuam sendo pagas. O problema é outro: essa diferença sai dos impostos e da dívida do governo, e cada real a mais para cobrir o INSS é um real a menos para saúde, educação, segurança e obras, ou mais dívida.
O que já mudou?
A Reforma da Previdência de 2019 (Emenda Constitucional 103) criou idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres que trabalham na cidade, no setor privado, com regras de transição, e mudou o cálculo dos benefícios. A aposentadoria rural manteve regras próprias. A projeção acima já conta com essas regras.
O que está em debate?
Aparecem no debate público, entre outras: novas regras de idade e de tempo de contribuição; a forma de reajustar o piso (hoje igual ao salário mínimo); o combate a fraudes e a revisão de benefícios irregulares; e mais trabalhadores com carteira, que contribuem. Cada proposta tem defensores e críticos; o Prometômetro não defende nenhuma. Mudar regras da Previdência costuma exigir emenda à Constituição: 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos.
Quanto do meu salário vai para o INSS?
Depende do salário: o desconto do trabalhador vai de 7,5% a 14%, por faixa de salário, e a empresa paga, em geral, mais 20% sobre a folha. Faça a conta com o seu salário →
Dados reunidos em 10/10/2026. Este é o Regime Geral (INSS), que atende quem trabalha no setor privado. Os servidores públicos e os militares têm regimes próprios, com contas separadas.